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"Maurice",
de E. M. Forster

Escrita entre 1913 e 1914, mas publicada apenas postumamente em 1971, a obra tornou-se um marco da literatura mundial por sua ousadia, lirismo e pela coragem de imaginar um desfecho diferente para a homossexualidade em um tempo em que o amor entre homens era criminalizado e condenado ao silêncio. O que distingue Maurice de outras obras do período é sua recusa em seguir o caminho trágico reservado ao desfecho das narrativas homoeróticas. Enquanto outros romances encerravam suas histórias em suicídios, punições ou renúncias dolorosas, Forster ousou imaginar um futuro no qual dois homens poderiam viver juntos ― não como exceção romântica, mas como algo concreto. Por isso, a obra é reconhecida como um dos primeiros grandes romances gays com final feliz, manifestação literária e política que ressoa até hoje, mais de cem anos após sua escrita. Em suas notas, o próprio Forster afirmou que escreveu o romance “para uma futura geração”, acreditando que somente quando o mundo estivesse mais aberto seria possível partilhá-lo.

"Lendo Lolita em Teerã",
de Azar Nafisi

Em Lendo Lolita em Teerã, Azar Nafisi revisita as memórias da época em que lecionou literatura inglesa na Universidade de Teerã, no Irã, de 1979 até 1981, quando foi expulsa da faculdade por se recusar a usar o véu. Entre a vocação e a proibição, Nafisi teve que descobrir maneiras de continuar a ensinar literatura apesar de não ter mais o espaço da sala de aula. Na sua própria casa, organizou encontros secretos com sete alunas durante dois anos a fim de continuar a apresentar e debater os clássicos da literatura ocidental – como Orgulho e preconceito (Jane Austen), Madame Bovary (Gustav Flaubert), Lolita (Vladmir Nabokov), Daisy Miller (Henry James) e O Grande Gatsby (F. Scott Fitzgerald). A partir das discussões literárias realizadas com a professora, as alunas puderam refletir sobre como as histórias narradas nos livros ecoavam em suas próprias realidades, tanto na esfera pessoal como social. Com conversas sinceras e inteligentes sobre as obras, as alunas e professora descobriram que a revolução iraniana, evento marcante em suas vidas, também poderia ser uma chave de leitura para os livros lidos. Ao questionar como as obras da literatura ocidental poderiam se relacionar com o novo dia a dia em Teerã e até mesmo com o Islã, as mulheres se aproximaram da própria história, redescobrindo a si mesmas e reivindicando o direito à imaginação.

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"Hibisco Roxo",
de Chimamanda N. Adichie

Protagonista e narradora de Hibisco roxo, a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente “branca” e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país. Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente. 

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"Mau Hábito",

de Alana Portero

Narrado a partir de uma voz singular em primeira pessoa, Mau hábito atravessa a adolescência de uma menina que cresce em um corpo que não sabe habitar. Acompanhamos sua busca em compreender a si mesma e ao mundo em que vive, desde a infância, em um bairro operário arrasado pela heroína, nos anos 1980, até as noites clandestinas no centro de Madri, nos anos 1990. Nesta versão errante da jornada do herói, viciados, divas pop e anjos caídos acompanham a protagonista em um itinerário no qual outras mulheres a ajudarão a superar a violência que encontra a cada passo. É uma história fronteiriça e mágica sobre como é viver entre dois mundos e nos tornar quem somos. Mau hábito é um romance cru e feroz, mas também poético e comovente, em que os extremos se tocam para mostrar que o ressentimento e a raiva contra o sistema são justificáveis quando se tenta sobreviver em uma sociedade que rechaça as diferenças. Dona de um universo criativo único, em que convivem o teatro, a história clássica e o ativismo, Alana S. Portero estreia na ficção com este romance deslumbrante, que se tornou um fenômeno editorial internacional antes mesmo de sua publicação.

"Carga Viva",
de Ana Rüsche 

A ternura dos laços humanos e a fragilidade de um poeta que, diante da morte, resolveu escrever. Ao combinar lirismo, crítica social e um olhar pungente sobre as relações humanas, Carga viva conta a história do advogado Carlos Alberto ao descobrir sua condição terminal e embarcar em uma fuga simbólica e literal com seu amante, Félix, para o litoral paulista. Em Ubatuba, a convivência em uma casa de praia entre as montanhas e o mar revela não apenas as tensões da saúde debilitada de Carlos, vítima de uma doença devastadora e ainda envolta em desconhecimento e preconceito, mas também as nuances de uma relação marcada pela fragilidade do pouco tempo de vida e pelo desejo de se viver em plenitude. Quem resgata essa história anos depois é uma pesquisadora acadêmica grávida, com o auxílio de sua irmã mais nova, paradoxalmente presente e distante. Abordando temas universais e profundamente humanos, este romance entrelaça narrativas pessoais com a complexidade do contexto histórico e político dos anos 1980 e o tempo presente. A obra expõe preconceitos, desigualdades e a luta pela manifestação da própria identidade, ao mesmo tempo que examina contrastes culturais e dilemas éticos por meio de sua rica gama de personagens. O ambiente litorâneo serve como arena de conflitos e a beleza da paisagem camufla tensões latentes, refletindo as dinâmicas emocionais e sociais que moldam a vida de todos, ontem e hoje.

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